Transformação Digital

A ATMA é parceira e revendedora oficial da Amazon Web Service. Nossos especialistas estão aptos para orientar, implementar e treinar para que seu negócio tire o melhor proveito das melhores mais atuais soluções AWS disponíveis no mercado atualmente.

 

Abaixo, entenda a transformação digital e como ela irá otimizar processos e melhorar significativamente o desempenho dos seus projetos.

Motivação da transformação para nuvem

 

Nos dias de hoje, mover aplicações para a nuvem deixou de ser apenas uma questão de infraestrutura ou mudança de hosting das aplicações. Este tipo de abordagem de migração mais conhecida como “lift and shift” (sem mudanças significativas na infraestrutura, código-fonte ou arquitetura da aplicação) permite que as empresas comecem a utilizar a nuvem de forma rápida e previsível, permitindo validar seus modelos de uso e também economizar algum dinheiro. No entanto, nem sempre este modelo traz uma redução significativa de custos ou ganhos para o negócio. Assim, a maioria das empresas está percebendo que é necessário repensar e planejar melhor o modelo de adoção da nuvem, com base em algumas limitações e lições aprendidas de projetos passados:

 

  • A maioria das aplicações legadas não possui uma arquitetura e processo de desenvolvimento (ALM/DevOps) adequados para o consumo nativo e eficiente da nuvem. Neste caso, como resultado as empresas acabam levando a maioria dos problemas do ambiente on-premises para a nuvem.
  • Aplicações e processos de negócio atuais podem não suportar mais as necessidades do negócio, impactando diretamente os clientes, fornecedores, dados, inovação e o valor da empresa. Como necessidades de negócio podemos citar: novos processos e modelos de negócios digitais, novos canais de relacionamento com cliente (ex: mobilidade, chatbots), processamento eficiente de grandes massas de dados (big data) e inteligência artificial para melhorar a experiência do cliente. Além disso, em diversos casos as aplicações não possuem foco na automação do processo de negócio e sim no suporte de algumas atividades, gerando um alto lead-time [13] e consequente insatisfação dos clientes.
  • Do ponto de vista da operação e governança, muitas vezes os times de TI não estão preparados para suportar o novo modelo de TI na nuvem.

 

Desta forma, esta complexa visão de aplicações legadas introduz novas barreiras para a criação de um modelo de negócio digital e uma operação eficiente na nuvem. A necessidade de acelerar a transformação de aplicações e processos de negócio legados para a nuvem é mais do que nunca fator determinante para o sucesso e inovação do negócio. Como resultado, é possível reduzir o risco e melhorar e flexibilidade da operação e assim alcançar a agilidade esperada. No entanto, vinculado a todas essas mudanças, surgem dúvidas de como realizar essa transformação, como:

  • Como recuperar parte do investimento realizado no passado para aplicar na transformação das aplicações legadas?
  • Como inserir estes novos componentes e tecnologias inovadoras nos processos de negócio e aplicações (ex: Microservices, Inteligência Artificial, Mobilidade, IoT e Blockchain) ao mesmo tempo que transformamos esses workloads e mantemos o negócio funcionando?
  • Como ser ágil e eficiente na transformação evitando o legado do futuro?
  • Como os processos de negócios relacionados a estas aplicações e suas dependências serão movidos corretamente ou otimizados na nuvem?
  •  A TI e sua cadeia de valor precisam ser alterados para suportar o ciclo de vida das aplicações na nuvem?
  • Como orquestrar grandes transformações (centenas de aplicações, servidores e processos de negócio), mantendo o foco nos objetivos de negócio?

 

Solução: Uma fundação ágil para aplicações e processos

 

Uma possível abordagem e caminho para endereçar as questões apresentadas acima é a definição de uma fundação estratégica e ágil de TI, que permitirá maximizar o uso da nuvem, trazendo as medidas corretas de inovação e agilidade que uma empresa necessita. Esta fundação é composta pelos componentes listados na Figura 1 e listados abaixo.

Figura 1: Uma sugestão de fundação estratégica para transformação digital para nuvem

  Arquitetura empresarial como estratégia: usando uma abordagem de Arquitetura Empresarial para definir a estratégia de negócios e de TI através do alinhamento do modelo operacional, da arquitetura de negócios e do modelo de maturidade da arquitetura de TI para criar uma base de padronização e integração dos processos de negócios da empresa. Este modelo define os estágios de maturidade da arquitetura para medir a agilidade e eficiência da TI para o negócio.

 

·         Abordagem de transformação incremental e ágil: o modelo de transformação ágil e incremental suporta a transformação de processos e aplicações de negócios objetivando o menor risco e custo. Esse processo ágil de transformação ocorre através de modelos de gerenciamento e desenvolvimento ágeis, como SCRUM, Behavior-Driven Development (BDD), Model-Driven Development (MDD), além de tecnologias habilitadoras para construir uma plataforma de arquitetura flexível e resistente a mudanças.

 

·         Tecnologias habilitadoras (plataformas de alta produtividade): usando plataformas ágeis para desenvolvimento, execução e ciclo de vida que serão fornecidas como aceleradores para suportar a rápida transformação e / ou construção de soluções digitais com o mínimo esforço e custo. Essas tecnologias são responsáveis ​​por permitir a inovação e apoiar a digitalização de processos de negócios na nuvem, além de permitir atingir uma maior maturidade de TI.

 

·         Governança da transformação e gerenciamento de mudanças: Governar a adoção da nuvem e a transformação do portfólio de aplicações, processos de TI e seu ciclo de vida de forma ágil através de um modelo de engajamento de TI suportado por DevOps. Estas práticas permitem que a organização maximize o retorno sobre o investimento de diferentes tecnologias adotadas pela TI.

 

Nas próximas seções serão detalhados cada um dos componentes desta fundação estratégica de transformação, mapeando o plano de ação necessário e quais são os benefícios resultantes de cada fase.

 

Arquitetura empresarial como estratégia de TI

 

Compreender os objetivos de negócio de curto, médio e longo prazo, e quais são as iniciativas estratégicas que suportarão estes objetivos são algumas das atividades importantes dentro da estratégia de TI. Um modelo interessante para suportar este alinhamento do contexto de negócio é a adoção da Arquitetura Empresarial como estratégia de transformação de negócios e TI. A arquitetura empresarial pode ser definida como a lógica de organização para processos de negócios e recursos de TI que refletem os requisitos de integração e padronização dos processos necessários para suportar o modelo operacional (atual ou novo) da empresa [1]. Esta abordagem define como suportar iniciativas estratégias de negócios através de uma visão de arquitetura de negócios alinhada com o modelo operacional e suportada por um modelo ágil de engajamento de TI, conforme apresentado na Figura 2. Esse alinhamento garante que a tecnologia deve suportar a padronização e integração de processos de negócios, apoiado ainda por disciplinas de gerenciamento e governança definidas pela arquitetura corporativa. Além disso, esta estratégia também deve abordar todas as mudanças culturais e organizacionais necessárias para suportar o modelo de negócios digital e da adoção da nuvem.

 

Figura 2: Modelo arquitetura de negócio como estratégia para padronização e integração dos processos de negócio. Source: [1]

As principais fases e macro ações desta visão estão listadas abaixo:

  • Compreender o Modelo Operacional: Define o modelo operacional de negócio e como isso impactará na padronização e integração de processos e aplicações de negócios. O modelo do MIT Sloan apresenta quatro tipos de modelos operacionais de negócio:

 

o   Unificado: processos de negócios e dados unificados e padronizados (global). Geralmente suportados por sistemas centrais de gestão (ex: ERP). Exemplos de empresas com este modelo operacional: Delta Airlines, UPS Package Delivery.

 

o   Coordenado: processos de negócio e unidades de negócio com serviços e produtos distintos, mas com compartilhamento de dados e clientes. Coordenação se dá através da integração de dados. Exemplos de empresas: Pepsi, Metlife, Merrill Lynch.

 

o   Replicado: processos de negócio independentes, mas que compartilham um padrão (design similar). Clientes e produtos podem ser distintos e não há muita integração destes. Empresas franquiadas geralmente seguem este tipo de modelo. Exemplos de empresa com modelo replicado: Marriott, ING DIRECT.

 

o   Diversificado: processos e unidades de negócio diferentes com diferentes clientes e produtos. Pouco compartilhamento de dados. Exemplos de empresas com este modelo: Johnson & Johnson, GE, Carlson.

  • Refletir o modelo operacional no modelo de arquitetura de negócio: define as bases para a visão da arquitetura de negócio. O diagrama de arquitetura de negócio define em uma página uma visão clara de como a empresa e seus processos se comportam (baseado no modelo operacional). A partir desta visão, é possível derivar as demais visões técnicas de arquitetura (aplicações, dados, segurança e infraestrutura). Os principais elementos da visão de arquitetura corporativa são: nível de integração e padronização de processos de negócios entre áreas de negócios, infraestrutura de TI para suportar a digitalização de processos, modelo de compartilhamento de dados e as interfaces para clientes (canais). A Figura 3 apresenta um exemplo de arquitetura de negócio Unificada de uma empresa de transporte aéreo de passageiros.

 

Figura 3: Modelo de arquitetura de negócio unificado. Fonte: MIT Sloan
  • Identificar a maturidade de arquitetura e os seus gaps: o modelo de maturidade define os estágios de arquitetura para alcançar a agilidade do negócio e maximizar o alinhamento de negócios e TI. As quatro etapas da maturidade da arquitetura empresarial são: Silos de Negócio, Tecnologia Padronizada, Core Otimizado e Modularização do Negócio. As etapas da maturidade e suas características estão descritas na Figura 4. Tradicionalmente, as empresas passam por essas etapas à medida que aprendem novos processos organizacionais e mudam suas práticas de TI. Dependendo do modelo de negócio operacional, a nuvem pode ser o principal drive na evolução da maturidade da arquitetura. Por exemplo, em um modelo operacional unificado, processos de negócios e infraestrutura de TI são altamente padronizados e integrados, o que significa ter uma plataforma centralizada de infraestrutura e serviços, habilitada pela adoção da nuvem (ver estágio 2 da maturidade apresentado na Figura 4).

 

Figura 4: Quatro estágios do modelo de maturidade de arquitetura de TI. Source: [1]

A maturidade de arquitetura de TI também está associada ao estágio atual de adoção da nuvem, conforme apresentado na Figura 5. Para atingir a maturidade de Padronização da Plataforma (Figura 4-2) é importante que a empresa já tenha uma fundação de nuvem estabelecida e um processo migração planejado e/ou em andamento (Figura 5-2 e Figura 5-3). Assim, para a evolução da maturidade para um estágio posterior (Core Otimizado ou Modularização do Negócio), é importante que a empresa comece a pensar na otimização das aplicações na nuvem (Figura 5-4), utilizando por exemplo arquiteturas flexíveis como microserviços e/ou outras tecnologias habilitadoras de transformação (abordado posteriormente).

 

Figura 5: Estágios da adoção da nuvem
  • Definir o modelo correto de engajamento de TI: o modelo de engajamento de TI é o sistema de mecanismos de governança que permitirá que projetos de TI (gerados a partir das iniciativas estratégias) atinjam os objetivos de negócio. O modelo de engajamento de TI influencia as decisões de projeto, a ponto das soluções individuais ou corporativas serem sempre orientadas pela arquitetura corporativa. O modelo de engajamento fornece o alinhamento entre os objetivos dos projetos de TI e os objetivos de negócios e coordena as decisões do processo de negócio em vários níveis organizacionais (ex: toda a empresa, uma unidade de negócio ou um único projeto).

Além da abordagem de arquitetura do MIT Sloan, todos os componentes listados acima também são suportados e implementados por diferentes frameworks e metodologias, como TOGAF [12], IT4IT [9] e CAF (AWS Cloud Adoption Framework) [11]. O CAF é um dos frameworks mais importante pelo fato dele fazer referência a estas e outras práticas recomendadas pela indústria, adaptando-se a qualquer cenário específico de adoção da nuvem. Estes frameworks serão discutidos novamente ao final deste artigo na seção de Gerenciamento da Mudança e Governança.

Os principais benefícios deste modelo de arquitetura estratégica são:

  • Compreender os objetivos e iniciativas estratégicas da empresa e seu relacionamento com a arquitetura de TI (ou seja, identificar qual a infraestrutura de processos de negócios, aplicações e dados são necessários para suportar a transformação digital).
  • Criação de uma lingua franca entre TI e as áreas de negócios, permitindo criar uma base que justifique a necessidade de investimentos em nuvem e outras plataformas necessárias para uma rápida transformação de aplicações e processos de negócios.

Transformação incremental e ágil

O processo de transformação ágil tem como objetivo definir o modelo de entrega que será usado para apoiar as iniciativas estratégicas definidas no modelo de arquitetura corporativa. Para isso, alinhar algumas tecnologias habilitadoras aos processos de transformação ágil pode ser uma estratégia bem-sucedida. Esse alinhamento define os processos de gerenciamento e engenharia necessários para implementar a jornada de transformação e também o novo modelo de arquitetura de aplicações.

Um processo de transformação ágil pode ser definido por três fases, como mostrado na Figura 6:

  • Diagnóstico de processos e aplicações de negócio e posterior planejamento da transformação;
  • Transformação de processos e aplicações de negócios através de práticas ágeis de desenvolvimento e gerenciamento, tais como SCRUM, Domain-Driven Development (DDD), Behavior-Driven Development (BDD) e Model-Driven Development (MDD);
  • Monitorar, evoluir e governar processos e aplicações de negócios para garantir que esses estejam trazendo os benefícios que as áreas de negócios esperam.

 

Figura 6: Exemplo de processo ágil e incremental de transformação.

A primeira fase desta abordagem ágil é o diagnóstico de aplicações legadas e seus processos de negócios, finalizando com o planejamento da transformação. Nessa etapa, verificamos alguns aspectos das aplicações, como a arquitetura, stack atual de tecnologia, as interdependências, o nível de automação e/ou aderência ao processo e o nível de maturidade da empresa para adoção da nuvem (perspectiva de pessoas, operação, segurança, governança, etc). Para sabermos o nível de aderência do processo de negócio atual frente as novas iniciativas e necessidades estratégicas (derivado do contexto de negócio), precisamos resgatar as regras de negócio existes no código legado e verificar se as mesmas podem ser reaproveitadas durante a transformação digital, economizando assim parte do investimento feito no passado com essas aplicações. Este processo é muitas vezes apoiado por ferramentas e algoritmos de Inteligência artificial [8], permitindo acelerar o processo de descoberta não só das regras de negócio, mas também do fluxo do processo a ser transformado. Por fim, o objetivo principal desta fase de diagnóstico é avaliar qual é a estratégia de transformação correta associada a cada aplicação e processo de negócio e também se estas estratégias fazem sentido financeiramente (business case). Alguns exemplos dessas estratégias são:

  • re-hosting: move a aplicação para nuvem sem mudanças significativas no código fonte ou plataforma. Geralmente utilizado como primeira etapa da transformação, quando um dos objetivos é desligar o datacenter rapidamente (ex: migrar a aplicação de um servidor físico para uma instância EC2 Linux).
  • re-architect: transforma a aplicação para uma nova arquitetura e adiciona/remove requisitos funcionais (ex: transforma de uma arquitetura cliente/servidor Visual Basic para uma arquitetura Web/Microserviços/Node.js).
  •  refactoring: simples modificações no código da aplicação para resolver um problema específico (ex: otimização para fins de melhoria de desempenho).
  • replace: troca a aplicação legada por um novo pacote de mercado (ex: substituir uma aplicação desenvolvida internamente por um módulo do ERP SAP).
  • retire: desliga aplicação (ex: outra aplicação existente tem as mesmas características funcionais).
  • replatform: modifica a plataforma da aplicação, incluindo sistema operacional, servidor de aplicação ou banco de dados (ex: substitui a camada de banco de dados da aplicação de Oracle RAC por RDS ou Aurora).

A segunda fase do processo de transformação ágil trata da execução da transformação. É nesta fase onde ocorrem as sprints de transformação das aplicações e dos processos de negócio, aplicando as receitas e estratégias de transformação definidas na fase de planejamento. A transformação ocorre através dos diferentes métodos de desenvolvimento ágil já citados anteriormente e algumas práticas associadas a DevOps. Esses processos de desenvolvimento ágil são muitas vezes suportados por tecnologias habilitadoras, como por exemplo as plataformas de alta produtividade [10]. As tecnologias habilitadoras são necessárias e importantes, pois permitem mudar o paradigma de desenvolvimento e arquitetura e também o ciclo de vida das aplicações na nuvem.

Na última fase do processo de transformação ágil ocorre o monitoramento e a governança das aplicações. A partir desse monitoramento é possível medir e garantir que as aplicações e os processos de negócios atendam adequadamente as necessidades do negócio após o processo de transformação. É importante observar na Figura 6 que todo o processo de transformação, incluindo a governança e monitoramento, está dentro do escopo do framework de adoção de nuvem da AWS (CAF), sendo este o responsável pela gestão da mudança e governança de todo o processo de adoção e transformação para nuvem. Esta fase será discutida em mais detalhes ao final deste artigo.

Os principais benefícios dessa transformação ágil para nuvem são:

  • Transformação incremental (pense grande, comece pequeno)
  • Recuperar parte do investimento passado ​​e reutilizá-lo na transformação
  • Ser independente da tecnologia (abordagem orientada por modelo e plataforma de alta produtividade)

 

Tecnologias habilitadoras

A transformação de aplicações para a nuvem precisa de um paradigma técnico flexível e melhorado para o desenvolvimento, arquitetura e gerenciamento de ciclo de vida de aplicações (ALM). Como dito anteriormente, esse paradigma é impulsionado por objetivos e iniciativas estratégicas que suportarão o novo negócio digital. Algumas tecnologias habilitadoras podem facilitar a transformação para a nuvem, apoiando a flexibilidade exigida por este modelo digital. Essa flexibilidade é obtida criando aplicações de forma rápida e simples e através de um processo de experimentação e teste de hipóteses, características frequentemente presentes em um modelo de maturidade de arquitetura de modularização de negócios (ver estágio 4 da Figura 4) e também presentes no Modo 2 da TI Bimodal [5]. Essas soluções são inseridas no processo de transformação ágil apresentado na Figura 6, mais especificamente na fase de engenharia (fase 2), através da modelagem e construção de requisitos e testes, suportando os métodos ágeis SCRUM, BDD, MDD.

As plataformas de desenvolvimento de aplicações de alta produtividade [7] são exemplos de soluções que possuem as características citadas acima. Em alguns casos, é possível criar aplicações com pouco conhecimento técnico (low-code platforms) e em pouco tempo. Alguns exemplos deste tipo de plataformas são: Mendix [2], Outsystems [3] e SalesForce One [4]. Essas plataformas permitem o rápido desenvolvimento de processos e canais de negócios digitais, já suportando os modelos de arquitetura de nuvem da AWS (ver Figura 7) e embarcando soluções de governança de aplicações e DevOps. De forma complementar, a solução da AWS permite não apenas fornecer toda infraestrutura para executar essas aplicações, mas também todos os demais componentes e facilitadores importantes para suportar um negócio digital, como segurança, aprendizado de máquina, big data, serveless e Internet das Coisas (IoT). Assim, podemos criar soluções e processos de negócios inteligentes, melhorando a experiência do cliente com os produtos e serviços do negócio.

Figura 7: Relacionamento das diferentes tecnologias habilitadoras da transformação

É evidente que, em alguns casos específicos, todas essas mudanças introduzidas acima não podem ser tratadas com facilidade ou talvez não façam sentido, como em um cenário de empresas centradas em aplicações de mercado (ex: SAP centric). Neste modelo mais tradicional de TI orientado por sistemas de registros (systems of records) pode ser mais difícil mudar o paradigma do software. No entanto, podemos ampliar o modelo atual criando novos serviços digitais e integrando-os para compor novos serviços, criando assim um modelo de operação de TI com mais inovação.

Os principais benefícios da adoção de tecnologias habilitadoras para a transformação para nuvem são:

  • Flexibilidade para inovar e mudar (habilitar a cultura da experimentação e TI Bimodal)
  • Redução de custos de desenvolvimento e gestão de aplicações
  • Redução do lead-time dos processos de negócio

 

Governança da transformação e Gestão da Mudança

Governança define os processos, papéis, políticas e melhores práticas para gerenciar a infraestrutura, aplicações, dados e processos de negócios na nuvem. Durante o processo de adoção e transformação para nuvem, um modelo de governança é necessário para gerenciar todas as etapas e perspectivas da mudança. O framework de adoção da nuvem da AWS (CAF) permite gerenciar todas as etapas da transformação, conforme já apresentado anteriormente (ver parte superior da Figura 6). O CAF é composto por 6 perspectivas diferentes, conforme apresentado abaixo na Figura 8. As 3 primeiras perspectivas (lado esquerdo da figura) tratam da transformação do ponto de vista dos stakeholders de negócio, sendo estas responsáveis pela gestão da mudança de pessoas (treinamentos, centro de excelência da nuvem), negócio (estratégia de TI, business case, TCO e finanças da transformação) e governança (gerenciamento do portfólio, gerenciamento de projetos e programas de transformação). A visão de negócio é fundamental para o entendimento da estratégia de transformação do ponto de vista financeiro. Ou seja, responder a seguinte pergunta: os custos de migração, TCO na nuvem e demais custos envolvidos permitem o retorno de investimento (ROI) adequado?

 

Figura 8:  AWS Cloud Adoption Framework.

Já as demais 3 perspectivas do CAF (lado direito da figura Figura 8), tratam da gestão de mudança do ponto de vista dos stakeholders técnicos, sendo elas: plataforma (arquitetura de aplicações e infraestrutura), segurança e operações (gerenciamento e monitoramento da nuvem).

Como podemos ver, o CAF é a “cola” de todos os aspectos da transformação citados neste artigo, permitindo gerenciar e mapear todas as capabilities (funções de negócio ou TI, realizadas por uma ou mais áreas) que devem ser modificadas com a adoção da nuvem. Em alguns casos, pode ser interessante também a adoção de outras práticas e frameworks mais prescritivos, a fim de permitir detalhar e gerenciar toda a cadeia de valor de TI (da estratégia de negócios até a operação em produção), permitindo assim uma transformação não apenas dos ativos de TI, mas também de toda sua operação.  Um exemplo de padrão para suportar esta cadeia de valor é o Open Group IT4IT [9]. O IT4IT pode ser tratado como a visão de negócio da TI, definindo processos, capabilities, ferramentas e entidades de dados que irão suportar a novo modelo de engajamento da TI. Este modelo é também complementado por outros frameworks e abordagens já citados, como DevOps, métodos ágeis, ITIL e COBIT.

Os principais benefícios da gestão de mudanças no processo da transformação para a nuvem são:

  • Manter o alinhamento correto entre o modelo de negócio e modelo de engajamento de TI, e todas as expectativas de ambos os lados.
  • Monitorar as etapas do processo de transformação, garantindo que todas as capabilities que serão modificadas (ex: pessoas, negócio, operação e tecnologia) foram identificadas.

Conclusão

A transformação de aplicações e processos de negócio para a nuvem pode ser vista como o habilitador da transformação digital. Porém, como resolver este débito tecnológico e o gap entre o processo de negócio e sua implementação são questionamentos que muitas vezes são difíceis de serem respondidos.  Este artigo propôs como possível solução a definição de uma base estratégica para a transformação, alinhada com os objetivos de negócio da organização. Isso significa um modelo estratégico que visa não apenas a redução de custos de curto prazo, como em uma migração sem grandes mudanças (“lift and shift”), mas também a transformação do negócio e todas as suas implicações. Para isso, precisamos pensar no novo modelo operacional de negócio (como a empresa irá operar de forma digital), derivado a partir dos objetivos de negócio e seu impacto econômico em curto, médio e longo prazos. A partir destes objetivos são derivadas as iniciativas estratégicas (projetos de transformação e visões de arquitetura) que irão suportar esta transformação, além da gestão da mudança necessária para manter o negócio funcionando. Por fim, vimos também que a escolha das tecnologias habilitadoras corretas são a chave para se alcançar o novo modelo de negócio e a cultura da inovação, e devem ser tratadas como o meio para isto, e não o fim.

Referências

[1] MIT Sloan Enterprise Architecture. Disponível em http://cisr.mit.edu/research/research-overview/classic-topics/enterprise-architecture/

[2] Mendix Platform. Disponível em https://www.mendix.com/

[3] OutSystems Platform. Disponível em https://www.outsystems.com/

[4] SalesForce One. Disponível em https://www.salesforce.com/mobile/overview/

[5] Bimodal IT. Disponível em http://www.gartner.com/it-glossary/bimodal/

[7] Gartner Magic Quadrant for Enterprise Applications Platforms-a-a-Service. Disponível em https://www.gartner.com/doc/3695317/magic-quadrant-enterprise-highproductivity-application

[8] Kalsing, Andre, et al. “An incremental process mining approach to extract knowledge from legacy systems.” Enterprise Distributed Object Computing Conference (EDOC), 2010 14th IEEE International. IEEE, 2010.

[9] Open Group IT4IT. Disponível em http://www.opengroup.org/IT4IT

[10] How MDD brings business relevance to the PaaS space. Disponível em http://www.theenterprisearchitect.eu/blog/2016/02/10/how-mdd-brings-business-relevance-to-paas/

[11] Amazon AWS Cloud Adoption Framework – CAF. Disponível em https://aws.amazon.com/professional-services/CAF/

[12] Open Group TOGAF. Disponível em https://www.opengroup.org/togaf/

[13] Lead time: Quanto tempo sua empresa leva para processar e entregar um pedido? Disponível em https://endeavor.org.br/lead-time/

Por André Kalsing – AWS Sr. Consultant, Advisory – kalsinga@amazon.com